Reta final

Em uma semana tudo pode mudar. Na última postagem, escrevi que ainda estava trabalhando e tentando levar minha rotina normalmente para ocupar a cabeça. O que não esperava é que com o início das 38 semanas, fosse levantar a bandeira branca para o cansaço. A emoção me fazia continuar, sair de casa, ir para o trabalho, estar com pessoas, enfrentar o transito e fazer as tarefas de casa. Já a razão dizia: "Será que não é a hora de parar? Não está vendo que seus pés estão enormes, não tem mais roupa para usar e está parecendo um zumbi?!". 

Quando algumas colegas de trabalho me falavam para eu pegar licença e esperar o Henrique dar sinal em casa, comentava que não ia conseguir, que ficar "parada" me faria pensar em tudo e menos em descansar. Me enganei. Ao contrário, estou bem tranquila e sossegada. Como nas madrugadas acordo várias vezes para fazer xixi, tiro uma soneca à mais pela manhã e após o almoço. Volta e meia faço alguma coisa em casa, descansando quando os pés, pernas e o barrigão pesam. E a história de querer trabalhar até o último dia e a bolsa romper no trabalho me fez repensar bastante - existem mulheres que conseguem, mas uma é diferente da outra e por mais que eu quisesse, meu corpo não estava mais dando conta e pediu para desacelerar. 

Hoje fazem três dias que estou em casa. Segunda-feira passei a tarde com uma amiga, tomamos um café e colocamos o papo em dia; ontem a faxineira veio e limpou o apartamento e à noite me encontrei com as amigas da universidade e hoje, comprei o presente de Natal do esposo. 

Em falar em Natal, as festas de fim de ano ficaram diferentes desta vez. Todo ano vamos para Antonina passar o Natal com minha família e no Ano Novo voltamos para Itajaí passar com a família do esposo. Por conta deste menino que carrego na barriga, não posso viajar, muito menos fazer planos de como será a virada do ano. O lado bom é que as tias e a avó do Fred chegaram de Brasília no fim de semana e amanhã será o primeiro Natal em que passaremos reunidos. Já minha mãe, padrasto e irmão, irão viajar - um momento só deles para se curtirem, repensar o ano e estabelecer novas metas. 

Estamos na espera do Henrique. Sinceramente não sei que dia ele virá. A única coisa que sinto é um frio na boca do estômago se ele der sinal quando estivermos fora de casa. O que já imaginei foi a hipótese dele ser o primeiro bebê de 2016, aparecer no Fantástico e ainda, nascer no mesmo dia que em que meu pai fazia aniversário... mas até lá temos alguns dias.

38 semanas e 5 dias (hoje)

9° mês

Último mês de gestação dando boas-vindas e até o momento estou tentando levar minha rotina normalmente para me manter ocupada. Trabalho das 8h às 18h, dirijo e ao chegar em casa realizo os afazeres domésticos, sem esforço e no meu limite. Algumas costurices também saem da máquina de costura: as fraldas do Henrique estão recebendo viés para dar um acabamento mais fofo e não desfiarem com as lavagens.



No quarto dele faltam alguns ajustes como quadrinhos, pendurar as bandeirinhas de tecido e colocar o jogo de lençol no berço. Os pacotes de fraldas estão separados por tamanho, roupinhas lavadas (as vovós Chris e Tonha fizeram questão dessa tarefa) e passadas (pela mamãe), malas da maternidade prontas e nessa semana, comprei algumas luvinhas, toucas, fraldas RN e cueiros. 

Junto com a ansiedade que tento controlar, os sinais de que logo logo ele estará nos meus braços "dão as caras". Os pés incharam muito, acordo umas três vezes na madrugada para fazer xixi, durmo praticamente sentada, sinto falta de ar e uma cólica leve e chata me surpreendeu ao iniciar a 36° semana. Com isso, segunda-feira foi meu último dia na hidroginástica. A vontade era de praticar até final da gestação, mas como ele deve permanecer por mais umas semanas na barriga, não quis arriscar que nascesse na piscina da clínica.

Já realizei os exames finais, entrevista com o anestesista, as vacinas estão em dia e semana que vem será a última ultrassonografia e consulta com minha obstetra. A partir daí, é continuar a curtir o barrigão e aguardar o Henrique dar sinal de quer chegar ao mundo.

Espero que a nossa ida à maternidade seja tranquila e que o esposo faça jus à serenidade que ele tem desde que o conheci. Dizem que na hora que a bolsa estoura os homens surtam, ficam apavorados e correm de um lado para o outro... tomara que com o meu isso não aconteça - #oremos!

Que tudo continue a dar certo no decorrer das últimas semanas e como dizem os antigos, "boa hora pra mim".

Henrique

Todo nome tem um porquê e na sua maioria, junto dele vem uma história... e a do meu Henrique é esta: 

A letra H sempre foi meu passatempo. Se tenho uma caneta na mão e um pedaço de papel, automaticamente desenho várias letras H de maneira cursiva, preenchendo todo papel. Gosto muito dessa letra e de escrevê-la várias vezes quando estou falando ao telefone, por exemplo - nunca procurei saber o motivo disso acontecer, mas me recordo que faço isso desde que aprendi a escrever.

Assim que descobri a gravidez, senti lá no fundo do meu coração que era um menino. Se passava por uma loja de roupas de bebê, as cores e objetos de menino chamavam mais minha atenção do que as de menina.

Certo dia quando já estávamos deitados nos preparando para dormir, eu e o esposo começamos a conversar sobre os possíveis nomes para o nosso bebê. Perguntei quais gostava mais e ele sugeriu Heitor, por ser um nome pequeno e forte. Por coincidência, comentei que sempre gostei da letra H e que os nomes Helena e Henrique eram meus preferidos. Ele os achou bonitos e combinamos que pesquisaríamos os significados de cada um no dia seguinte.

Quando o esposo chegou em casa, disse que a moça que trabalha com ele fez uma ultrassonografia e descobriu que carregava o 'Heitor' na barriga. De imediato ele descartou a ideia desse nome e assim que pesquisamos o significado de Henrique, nosso bebê passou a ter um nome caso a confirmação fosse de um menino.



Em minhas conversas com minha mãe, para ela, seria uma menina. No dia que saberíamos o sexo do bebê, ela veio para nos acompanhar - estava mais ansiosa que eu e o esposo - e até o instante de entrarmos na sala, ela dizia que era uma menina. Eu com toda certeza respondia: "Mãe, não é menina, é o Henrique!".

No momento em que o aparelho de ultrassom encostou na minha barriga, comentei:
- Nossa doutor, ele já tem perfil!
- Vocês querem saber o sexo?
- Sim! - respondemos.
- Tem perfil e tem peru! É um menino!

Emocionada com a notícia, comecei a chorar e falei: "Eu sabia, desde o início...". O esposo estava emocionado também, já minha mãe admirada por ter errado... Resolvemos jantar num restaurante para comemorar e ao brindar o nosso bebê falei: "Viva o Henrique!".

Enviamos mensagens para a família e o esposo telefonou para seus pais e irmãos pra contar que o Henrique estava a caminho. E minha sogra foi a única pessoa que percebeu o que eu e o esposo já tínhamos notado: F, G, H - Frederico, Gabrielle e Henrique. 

Quem sabe depois do Henrique continuamos a sequência do alfabeto?!

Chás do Henrique

Dois Chás para o Henrique: um em Itajaí e outro em Antonina. Em Itajaí convidei as amigas e colegas de trabalho e optei por fraldas da marca Pampers ou Huggies Turma da Mônica. Em Antonina, o chá foi misto, assim como os presentes: homens fraldas e mulheres roupinhas.

Para decorar os chás (que foram realizados em finais de semana seguidos), confeccionei as bandeirinhas com o nome do meu bebê, passarinhos de tecido, pompons de papel de seda, bolo de fralda e revesti garrafinhas de cerveja long neck com rendas e fitas; as tags com a letra H foram feitas pela amiga Gabriela que trabalha com scrapbook.

As flores encomendei na floricultura, escolhi áster. Numa loja de artigos para festas comprei as toalhas azuis, as plaquinhas e as toalhas rendadas de papel. A mesa com os suportes para bolo e doces foram locados e os jogos de chá são da minha mãe. 

Chá do Henrique - Itajaí









Chá do Henrique - Antonina 







Desde que pensei em realizar os chás do Henrique, fiz questão de confeccionar tudo para a decoração. Apesar da correria do dia a dia e do 'tudo pronto', a gente esquece do 'faça você mesmo'. A partir de agora sendo mãe, quero resgatar isso e tentar fazer as festinhas do meu filho. Em cada renda que eu colava, lacinho que amarrava, o sentimento era diferente. Além da satisfação de 'eu fiz tudo' e 'ficou como imaginei, receber os elogios dos convidados é muito gratificante.

Endereços dos sites que me auxiliaram:

Agradecimentos:
Fotografia do Chá em Itajaí: Aline Molleri
Tags: Gabriela Sousa

Marcha lenta...

De umas semanas para cá, muitas mudanças no corpo e na minha rotina aconteceram. 
Meu bebê está mexendo bastante. "Ondas" e tremores começaram a ser notados e nos momentos que estou relaxada admiro a barriga ir para lá e para cá... 

No trabalho, esses dias "paguei mico". O Henrique chutou tão forte que gritei e pulei da cadeira. Por passar a maior parte do tempo sentada, acho que ele fica irritado e desconta em mim. 

Diariamente, estou precisando de ajuda para realizar algumas tarefas porque sozinha está ficando cada vez mais complicado. O esposo levanta peso, arrasta móveis, se abaixa para amarrar meus sapatos, lixa minhas unhas dos pés e serve de apoio para eu sair do sofá e da cama. Às vezes, o andar patinho dá o ar da graça e o equilíbrio já não é mais o mesmo. Deixar as coisas cair no chão se tornou algo normal e para apanhá-las, viro uma lutadora de sumô. 

Além da coordenação motora, meu raciocínio não melhorou até agora - na verdade, parece que toda minha inteligência está indo para o Henrique. Sempre fui uma pessoa ágil e falante e desde que este menino entrou na vida, emburreci, fiquei lerda. Quando o esposo me pergunta algo, fico olhando pra cara dele, tentando raciocinar, formular a pergunta, juntar as palavras para responder. Hoje ele já está acostumado, me dá tempo de resposta, mas meses atrás, ficava me olhando com cara de paisagem, talvez imaginando que eu estava na "caixa do nada".

Apesar de estar relatando todas essas coisas, estou num momento mágico da minha vida. Ser mãe sempre foi e será meu maior sonho e realização. Passar por alguns sustos no início da gestação, tomar várias vitaminas, comer brócolis e beterraba todos os dias, ir ao banheiro a cada 5 minutos, usar calças largas que mais parecem roupa de palhaço, ter dores na lombar e outras coisas que ainda vão surgir, estou amando carregar esse menino, sentir seus pontapés e imaginar todos os detalhes do seu rostinho, mãos e pés. 


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